Resiliência e Medo

Como o medo pode ser o nosso maior aliado e o nosso maior inimigo? Você já se perguntou isso? Nesta última semana eu constatei que o medo me abre duas grandes portas a da criatividade e a do pavor absoluto.

Na minha concepção o medo está ligado a nossa impossibilidade de controlar os eventos que possam acontecer em nossas vidas, aqueles que não dependem exclusivamente de nós, estabilidade financeira, para quem não tem grande fonte de renda, saúde de alguém próximo que depende do atendimento hospitalar público, incertezas quanto ao futuro por exemplo.

As nossas apreensões servem como alertas para identificarmos tudo que foge dos padrões que já estamos acostumados e para nos indicar que necessitamos de maior conhecimento sobre assuntos e situações que não estamos habituados, mas existe aquele ser humano (incluindo eu mesma) que não mede os riscos e comete erros que as levam exatamente ao olho do furacão, onde uma grande onda de QUE MERDA EU FAÇO AGORA? é jogada contra você e num período curto de tempo ( horas ou dias) precisa encontrar o caminho para retomar a sua SANIDADE hahaha.

Neste processo é onde tendemos a abrir mais a nossa mente e enxergar as coisas com mais clareza, entender que devemos traçar planos menores para uma saída emergencial, mas também somos levados há uma imensidão de possibilidades e nos tornamos mais criativos. Porém quando mensuramos as fontes dos nossos medos e agimos com cautela, antes de enfrentarmos dificuldades, também nos descobrimos criativos, pois tendemos a fazer mais com menos.

Quando algo me acerta em cheio, nos primeiros instantes me ponho desesperada, depois canalizo meus esforços no problema maior onde tento suaviza -lo e encontrar uma solução paliativa caso seja algo emergencial, após analiso tudo que está envolvido e abro as portas da minha criatividade e conhecimento para chegar na resolução final.

E foi assim que a minha semana se deu em desespero, nervoso, apreensão, compreensão, saídas e novos planos. Alguns assuntos levam mais tempo para a gente digerir e refletir sobre qual o nosso papel sobre eles, em função disso, temos um desgaste maior para solucionarmos.

A lição que tive é que devemos diminuir nossos medos de perder as rédias quando efetivamente não podemos controlar uma situação que não depende de nós ou simplesmente aceitar que devemos começar novamente do zero, mas com consciência e respeito ao que demoramos para reorganizar.

Autor: Aline Santos

E você já se desesperou com algo e depois viu uma luz no fim do túnel?

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Um sonho a mais

Sonhar, é o que fazemos de mais bonito desde que somos crianças. Ah e como é bom sonhar com as nossas viagens, com aquele curso da instituição master blaster, com os sucessos da nossa profissão, em fazer aquela festa incrível cheia de amigos e amigos de amigos, com a fantasia bapho do carnaval.

Ter sonhos é dar alma a nossa vida, porque sem alma somos corpos vagantes pelo mundo, sem destino, sem propósitos. Mas a gente vai se embolando nas dificuldades do dia a dia, vai perdendo aquele brilho nos olhos, vai se afundando em frustrações e quando nos damos conta somos um imenso vazio.

Quando eu era adolescente ( há poucos dias atras hahaha) meu maior desejo era ser atriz, fiz cursinhos de teatro, ia há muitas peças, lia muitos livros e estava determinada a cursar faculdade de artes cênicas pela Unesp. Prestei o vestibular no primeiro ano, não passei, mas já sabia que seria difícil, pois vinha de escola pública, mas isso não me tirava a confiança.

Me matriculei em cursinhos pré – vestibulares, me senti mais confiante, mas novamente não passei e tive que encarar ou me consolar com a realidade, estava mais preparada para tentar por mais um ano, isso era verdade, mas o curso era integral teria que trabalhar para bancar transporte, alimentação e materiais, mas como seria possível? Ou trabalhava ou estudava. Tive que mudar de rumo, fiz publicidade pela Uninove.

Me lembro do meu primeiro dia de aula, estava tão radiante, tão feliz, conseguiria pagar a minha mensalidade com o meu salário e sozinha tudo fruto do meu esforço. Ah eu seria uma publicitária incrível. Logo me identifiquei com planejamento e mídia, eu era boa naquilo.

Mas me deparei com a infelicidade dos valores pagos nos estágios, nada mais que R$ 350,00 e eu não tinha como largar meu trabalho que pagava R$ 900,00, pois ajudava em casa e os que pagavam melhor exigiam experiência e conhecimentos que eu não possuía.

Resiliente eu entendi que deveria terminar a faculdade e procurar, para diminuir meus custos, uma vaga básica para começar meus primeiros passos na área. Passei brevemente por uma agencia de brand ( gestão de marcas) e logo após fui para uma agência de trade marketing ( gestão de promotores no ponto de venda). Lembro que eu tinha o mesmo brilho nos olhos e a mesma sensação maravilhosa de estar dando um grande passo quando fui ao meu primeiro dia de aula na faculdade.

Trabalhei por quase cinco anos nessa agência e aprendi muito sobre o setor e fiz grandes amigos. Meus planos tinham mudado completamente desde o meu primeiro vestibular, eu não estava infeliz por isso, porque eu também estava em constante mudança, mas no final dessa jornada não me via em evolução, estava em um ciclo vicioso de comodismo que nunca havia estado antes, sempre fui uma pessoa que não se acomodava, que se recriava a cada instante.

Esse estado me levava há um muito maior, a cobrança constante em ser uma profissional melhor e estar em um nível maior, isso somado me gerava um esgotamento e insatisfação dolorosa, pois já tinha saído da casa dos 20 e não me via financeiramente estruturada e com muitas insatisfações pessoais, mas como separar essas duas coisas e enxergar possibilidades?

Fiz essa pergunta a mim mesma e entendi que o problema estava em não ter metas para ambos os setores, eu sabia o que eu não queria mais, mas não sabia o que de fato me faria feliz, voltar a ter brilho nos olhos. Concluí que eu não tinha mais sonhos, não tinha um direcionamento, tinha apenas queixas, fatores que me incomodavam e decidi que precisava urgentemente me por em movimento.

No começo de 2017 fiz minha lista de melhorias: 1) falar inglês, recomecei o curso no meio do ano e terminarei este ano, hoje me arrisco em pequenas conversas, escrever e ler a nível intermediário. 2) Fazer uma pós que coubesse no meu bolso e me desse embasamento estratégico, iniciei MBA em Controladoria na Unip em 2018, onde me trouxe Networking (conhecer pessoas que te proporcione conhecimento e indicações) e amplitude das minhas habilidades com novas bases de conhecimento e suporte para galgar nossos patamares profissionais.

Após sair do meu antigo trabalho, decidi que era necessário sair em busca novos horizontes, investir parte da minha rescisão em um pequeno E-commerce de moda feminina @zamorestore . Já que ter uma fonte de renda extra que me oferecesse maior flexibilidade financeira para planejar sonhos maiores ( fazer economia para dar entrada em uma casa própria ou fazer uma grande viagem internacional) era meu objetivo número 3. Ainda estou aprendendo bastante sobre planejamento estratégico de uma loja virtual, mas está sendo um bom exercício de faça você mesmo.

Com essas três inciativas que tive muito por impulso e medo de permanecer frustada e paralisada em uma atividade que não me ressaltava os olhos, me levaram a lugares dentro de mim que eu não sabia que existia, me forçou a me mexer, a constituir novos sonhos e enxergar a minha realidade e trabalhar com o que tenho para modificar o que me incomoda.

Foquei na parte prática, trabalho e retorno financeiro, mas hoje gerou outros sonhos como montar um curso gratuito de trade marketing para jovens de 15 a 18 anos, desenvolver minha primeira exposição, treinar minha escrita como hobby e posteriormente lançar um livro. Ainda não tenho todo o retorno e conhecimento que almejo, mas também sei que não terei tudo de um dia para a noite e acalmar a ansiedade é algo importante para ter serenidade diante de situações conflitantes.

E isso vale também para quem está infeliz em seu trabalho/vida ou procurando por uma nova oportunidade, pois é difícil dar grandes passos logo de primeira, então temos que nos mover braço a braço, perna por perna, sem vergonha ou receio da opinião alheia (trabalho isso todos os dias), seja por realizar atividades mais braçais ou artesanais que podem render a mesma satisfação financeira que um trabalho CLT ou mudar radicalmente seu estilo de vida.

Procurar cursos gratuitos ou que caibam no seu bolso mesmo que não tenham nada a ver com o seu objetivo principal, realizar trabalhos voluntários e/ou pequenos jobs (trabalhos) são fontes que podem te mover do lugar comum, te conectar com novas pessoas e/ou sanar problemas pontuais, pois abrem a nossa mente e nos ajudam a enxergar possibilidades, descobrir novos interesses e criar soluções.

Aprendi que na maior parte do tempo estamos sozinhos e isso não significa que não temos amigos ou familiares que se importem conosco, mas que nós somos os grandes responsáveis por nutrir as nossas forças e canalizar nossos problemas, porque até o mais difícil tem uma saída nem que seja paliativa e é importante ter metas, propósitos, SONHOS, do contrário perdemos o sentido da vida e não conseguimos admirar a beleza de um dia de chuva.

Autor: Aline Santos

E você tem sonhado?

Amor, Sexo e Carteira

Já perdi as contas de matérias, vídeos, filmes e textos que eu tenha lido a respeito da libertação da mulher a partir do desprendimento dos “limites” sexuais que são impostos à ela consciente e inconscientemente pela sociedade e por muito tempo não entendia a relação entre Sexo e Liberdade.

Eu sempre achei que eram campos completamente diferentes, inclusive que sexo ficava no campo do particular, que compreendia apenas o ato propriamente dito, já a liberdade tinha a ver com direitos civis de estudar, trabalhar, casar ou não, ser mãe ou não, ser o que se deseja ser, etc.

E por fazer essa separação não entendia porque me sentia pela metade e com dificuldades em ter relacionamentos mais íntimos, logo sexo era um problema, me achava travada, envergonhada e isso se estendeu por um bom tempo e me colocava em uma redoma de medos, como o de me envolver com pessoas erradas e o auto preconceito que me fazia sentir menos bonita do que qualquer mulher de cabelos longos.

Idealizei e afastei o maior número de pessoas possíveis definindo padrões (estudo, trabalho, vocabulário, gostos, etnia, etc.) de match perfeito, quando na verdade estava fugindo de mim mesma. Nem ao menos sabia o que mais me atraía em um homem, apenas focava em ser uma mulher socialmente equilibrada, sem problemas amorosos desastrosos.

Mas de onde vinha essa concepção de relacionamento ideal? Todo problema se bem investigado, encontraremos a resposta dentro de casa. Meus pais nunca tiveram um relacionamento saudável e tenho poucas recordações boas do período em que estiveram casados. Acredito que daí surgiu a minha necessidade em montar uma barreira emocional anti problemas, mas é claro que isso não daria certo.

Evitava ao máximo contato com quem de cara não apresentasse ao menos um traço do que eu havia definido. E não sabia que estava perdendo experiências, boas conversas, novos laços de amizades e quem sabe um relacionamento com todas as suas nuances. Desejava uma perfeição que não existia, me apaixonava por pessoas que não cabiam na minha vida e por isso sempre me via em amores inacessíveis.

Como consequência sempre me achei uma mulher invisível, sem relacionamentos que durassem mais do que breves histórias e me reclusava novamente dentro de mim mesma, dando espaço a Aline Expectadora, com bons ouvidos e aquela opinião sensata de quem já tinha ouvido muito sobre a experiência alheia e sabia dar os conselhos certos a qualquer amigo.

Passei a entender, depois de um certo tempo ( sim, tenho essa vagarosidade rsrs) que liberdade e sexo se fundiam, mas não com a ideia de que se precisa sair com o maior número de caras que conseguir para ser liberta, mas sim que é preciso conhecer o próprio corpo, a qual direção seus desejos caminham, de não se comparar com a amiga transarina  ou a colega cheia de contatinhos.

Que o meu nojo em sair pegando vários caras em uma micareta por exemplo, não tinha a ver com aversão a homens, mas sim que esse não é o meu desejo, que transar com um cara no segundo encontro ou mandar nudes em pouco tempo de conversa não tem conexão com o meu caráter e sim com as minhas vontades.

Aprendi acima de tudo que não devo projetar em ninguém a salvação para as minhas inseguranças, que sou responsável pela minha felicidade e devo cultiva-la, ter a mente mais aberta para entender que todo mundo guarda algo de especial e que não encontrarei o cara “perfeito” escolhendo cargos e salários, ter menos pudor para falar de sexo, pois é algo normal e precisa ser conversado para quebrar velhos tabus limitantes e compartilhar conhecimentos.

Autor: Aline Santos

Sexo e Liberdade ainda é um tabu para nós mulheres né hamigas?!

Me Encontrando

Quantas vezes olhei para mim mesma e pensei, qual a razão da minha vida? Qual o legado que quero deixar para os meus amigos e familiares? Eu tenho aproveitado todas as oportunidades?. Durante mais de quinze anos venho me fazendo esses questionamentos mas sem nenhuma afirmação positiva para eles.

Hoje com 32 anos, fiz uma auto análise da minha vida para entender em qual ocasião ou época me tornei refém de mim mesma. Identifiquei que a minha adolescência foi o ponto de maior desencadeamento desses sentimentos de desânimo e não pertencimento a lugar algum.

Acredito ( não fiz análise médica na época) que posso ter passado por um grande período de depressão sem ninguém ter notado, não saía, não me permitia ter relacionamentos amorosos, somente estudava, lia livros e dormia o máximo de tempo possível. Este era o meu refúgio, onde criava o plano de vida perfeita, cheia de encontros, desencontros, sucessos, romances e grandes amizades.

Mas de onde surgiram esses sentimentos? a resposta sempre está dentro de nossa casa, e a minha não foi diferente. Eu sou a filha do meio de sete filhos, nunca fui tratada com muitos mimos ou poupada das situações difíceis que viviam meus pais. Isso me trouxe um amadurecimento precoce, logo me sentia psicologicamente podada, sentia vergonha em “dar trabalho”, trazer preocupações, estar FORA DA LINHA.

Na adolescência acredito que tenha se intensificado, pois me achava o patinho veio, as inúmeras piadas sobre o meu cabelo CAPACETE, a não adequação as modas e novamente não fazer parte dos roles “daora” com extremo medo de trazer problemas a quem já tinha tantos, minha mãe.

O Tempo foi passando e não me dei conta de todas as coisas maravilhosas que estava perdendo, na verdade não sabia por onde começar a mudar a minha forma de ver a vida, de tomar as rédias da situação e começar a caminhar sem medo de tropeçar na primeira piada sobre mim.

Tem sido um caminho cheio de altos e baixos, pois não tinha a mínima noção que era uma pessoa que não se conhecia, cheia de amarras psicológica, muitas delas enraizadas na infância.

Mas algumas coisas vem me ajudando muito, assumir meu cabelo afro (passei por alisamentos durante mais de 12 anos) em 2017 foi uma delas, eu nem sequer sabia como era meu cabelo rs rs, hoje me sinto bonita independente de alguém me dizer.

Tentar novos rumos profissionais que me trouxesse satisfação e procurar uma religião ou terapia que me ajudasse no processo de autoconhecimento se tornou o meu propósito de vida, nesse processo que tem cerca de um ano, já errei mais que acertei, mas sigo feliz em saber que estou perdendo o medo de viver.

Este blog é um dos projetos que pretendo levar como fonte de descoberta de mim mesma, gosto muito de ler sobre pessoas que se encontraram, e agora a protagonista sou eu, onde a abundância de coisas boas será o meu maior objetivo e desejo trocar muitas experiências nesse período.

Autor: Aline Santos

E você já passou por momento de encontro consigo mesma (o)?